segunda-feira, 4 de junho de 2012
La Concejala Antropófaga
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
O Palhaço

Direção: Selton Mello
Produção: Vânia Catani e Selton Mello
Roteiro: Marcelo Vindicatto e Selton Mello
Eu poderia dizer que esse é um filme de Selton Mello, mas seria desmerecer demais um trabalho tão grandioso e feito por tantos corpos juntos. Ao mesmo tempo, seria injusta em não vangloriar um pouco o cara, Selton foi de fato um profissional por inteiro nesse longa, que por sinal, é uma belíssima produção para o cinema nacional.
“Parabéns Selton, tem brilho no seu filme, tem alma e paixão”. É, acho que eu falaria isso ao ator, caso o encontrasse por aí. Com um grandioso e privilegiado elenco, uma das mais recentes obras brasileiras se reveste de cor e de poesia. No interior do país, um circo é o palco para os conflitos internos, as situações corriqueiras e comuns ao mundo dos picadeiros e às relações humanas. Dentro desse cenário, Benjamim (Selton Mello), o palhaço Pangaré, reflete se é nesse mundo que ele gostaria de seguir sua vida. Paulo José incorpora o palhaço Puro Sangue, Valdemar, pai de Benjamim, e juntos, pai e filho, tocam o circo e tentam resolver a cada dia os problemas dos demais integrantes dessa família de artistas.
Não quero me estender na história, porque, na verdade, esse é um filme dos personagens, são eles que tomam o roteiro, dançam nas falas, expõem seus sentimentos e desnudam o ser humano, com suas sensibilidades, dores e saudades. Ainda tem um ponto importante, o principal e maior desencadeador de sentimentos é o olhar, personagem tão importante no drama. Esse nos preenche de vida e nos dá a certeza da grandiosidade do longa que estamos presenciando. Em algumas cenas, fiquei me perguntando se os brilhos nos olhares eram para os personagens, ou eram os atores que se deliciavam em encenar o que ali acontecia.
A saga de Pangaré na busca pelo seu “eu” nos encanta, certamente, com humor, drama, poesia e leveza. Leveza mesmo, dessas que nos tiram da sala de cinema à força, porque a vontade mesmo era de ficar ali, junto com Puro Sangue, Pangaré, palhaço Borrachinha, Meio-quilo, Juca Bigode, Tony Lo Bianco, Guilhermina, Gordini, Dona Zaira, Chico Lorota, Lara Lane, Justine e Nei. Não vá esperando uma comédia escancarada, é de sentimentos vividos que estamos falando, poesia na certa, de aplausos de pé.
Se prepare, caso sejas uma manteiga derretida feito eu, não duvide que escorra algumas lágrimas no letreiro final.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
The Elephant Man (O Homem Elefante)
O preto e o branco da obra de David Linx nos retratam a história sofrida de um homem que viveu de dores e sonhos em uma sociedade movida pelas aparências. E esse personagem real nos deu um novo significado à beleza na vida. Assim que comecei a ver o Homem Elefante sabia que algo de espetacular e especial estava a minha espera. Revolução Industrial, sociedade inglesa do século XIX, John Merrick como uma das atrações do circo dos horrores. Com 21 anos, o Homem Elefante tinha uma vida que ninguém desejaria a ninguém. David Linx saiu um pouco do seu padrão de filmes alternativos e abstratos para pisar em um campo mais duro, real e lindo. Se emocionar com o longa é um lugar comum, as cenas fortes, a fotografia linda e a triste historia real se misturam em um amontoado de surpresas e de angustias. Isto me faz dizer que esse é um dos melhores filmes que eu já vi. Ao longo da obra, não há como não se apaixonar pelo jovem com o corpo todo deformado e de sensibilidade transbordando nos olhos desesperançados. David fez o encontro do sensível com o horror. Do horror com a beleza. Da beleza com a tristeza. Aos poucos vamos desvendando John, vamos nos afeiçoando por ele e, assim, deixamos as lágrimas escorrerem.
Simplesmente um filme incrível, de aprendizado e de se querer o bem. Uma obra que nos deixa reflexões, fantasias e assim se faz ser lembrada. Sim, repito, um dos melhores. E se em cada cena me pergunto como essa historia pode ser real, porque ela é, não saberia explicar tamanha grandiosidade se ela não fosse.
O Homem Elefante nos deixa a sensação de que existe algo de singelo em todos os lugares, em cada um de nós e em cada sentimento. Jonh Merrick foi um grande homem, o homem elefante é um grande filme e com certeza ficará na mente de quem o veja. Uma produção que faz a gente se confrontar com os nossos próprios julgamentos, nossos preconceitos e nos leva para uma viagem pertinho de um mundo interior único, único como cada um é, seres humanos que somos, apenas seres humanos, e incríveis.
domingo, 11 de setembro de 2011
11 de setembro de 1973
sábado, 13 de agosto de 2011
Bem-vindo à Casa de Bonecas (Welcome to the Dollhouse)

A cena fechada na foto de uma típica família americana é a porta de entrada para um filme que foge da conduta hollywoodiana tradicional. O duro e o real estão ai, usa óculos, rabo de cavalo e se chama Dawn, uma garota de onze anos e meio. Rejeitada na escola e não compreendida em casa, a protagonista se vê em situações humilhantes e que a fazem se perder dentro de si.
Os cenários são basicamente a escola, a casa e alguns pontos externos. Engraçado que nesses pontos, que aparecem uma vez cada, se me lembro bem, são formados por cenas que montam uma personalidade mais doce de Dawn, aí podemos conhecê-la melhor. Boa parte desses momentos são compartilhados com seu colega de classe Brandone, com quem ela tem uma curiosa relação.
Como toda boa pré-adolescente, a garotinha feia e de óculos se apaixona, beija, briga, machuca, é machucada e vive, mas não vive um sonho, nem uma reviravolta de vida. Todd Solondz fez questão de colocar tudo como deveria ser, sem fantasias, sem enfeites. Somente a frustração do isolamento, da busca de uma colocaçõ social.
Welcome to the Dollhouse é um pouco de Dawn, da essência humana, e, não se assuste, mas vc pode identificar nos persongens pessoas que já passaram pela sua vida também.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
José e Pilar
Vemos o trabalho em cima de seus romances, a agenda cheia de eventos e formalidades. A doença maldita, o recuperar esperançoso. A vida que é vivida, mas que sabemos, e ele mais do que todos, que tem uma data certa para chegar ao fim. E ai não existe espaço para o medo.
Melhor ainda é descobrir que por trás desse belíssimo filme, existem toques conhecidos e que a gente, então, entende o porquê do resultado final ser tão rico. Fernando Meirelles é um dos grandes nomes os quais posso citar, o restante vocês podem conferir aqui.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Viajo porque preciso, volto porque te amo
Depois de dez anos de trabalho, os dois diretores resolveram mesclar imagens de um diferente sertão a uma boa narrativa atrelada a um universo real. São cenas duras que se transformam em poesia audiovisual de extrema simplicidade, como a despretensiosa filmagem de uma senhora fazendo rosas de espumas. Os cineastas poderiam utilizar as gravações para retratar qualquer enredo, ou história nenhuma, mas elas são unidas às confissões do personagem principal, o geólogo José Renato, e aparecem para despertar sensações e encantamento. Uma idéia original e simples.
José embarca em uma viagem a trabalho pelo sertão nordestino, esse é seu objetivo racional. Logo percebemos, intrínseco em sua história, a questão emocional: a saudade da sua ex-mulher, a dor do abandono. O desabrochar do filme é acompanhado de músicas ditas como bregas, próximas ao lugar-comum do amor sofrido. Essa proposta se encaixou bem ao contexto, criou realismo e possíveis identificações junto ao público.
Na obra, temos traços de documentário e ainda da ficção. Dentro desses formatos, encontramos um tom poético de uma historia de amor. As cenas, muitas vezes desfocadas e de tom caseiro, nos remetem a uma abstração. O que nos puxa para dentro do enredo é a narrativa de José, quebrando também alguns momentos de monotonia. Captamos suas dores, seu trabalho, sua paixão. O personagem permanece em uma intensa reflexão individual, traço caracterizador das obras de Marcelo e Karim.
A solidão constante do personagem aparece em forma de prosa e nos aproxima de sua história, nos emocionando. José cria diálogos unilaterais e ao mesmo tempo mostra seu desejo de esquecer a paixão sofrida. Temos, então, os traços antagônicos da obra: o amar e a vontade de “desamar”, o amor e o ódio, a viagem que o leva para trás e o esquecer que só o faz lembrar. As palavras saem verdadeiras, espontâneas e de sotaque tão original que o filme toma uma forma natural e forte. Por não vermos José, somos guiados por uma liberdade imaginativa, como na leitura de um livro. Fica ao nosso cargo desenhar e imaginar o homem que nos envolve em sua viagem de lembranças.
É um filme simples, de raízes, como um trabalho artesanal feito pelas mãos conjuntas de dois inovadores. A liberdade de criação é tão intensa que Marcelo define bem sua direção: “Uma viagem que se tornou uma história de amor ou uma história de amor que se tornou uma viagem”. No fim das contas, uma junção de imagens e sentimentos falados e sonhados em forma de prosa e saudade.