quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O Palhaço

Direção: Selton Mello

Produção: Vânia Catani e Selton Mello

Roteiro: Marcelo Vindicatto e Selton Mello

Eu poderia dizer que esse é um filme de Selton Mello, mas seria desmerecer demais um trabalho tão grandioso e feito por tantos corpos juntos. Ao mesmo tempo, seria injusta em não vangloriar um pouco o cara, Selton foi de fato um profissional por inteiro nesse longa, que por sinal, é uma belíssima produção para o cinema nacional.

“Parabéns Selton, tem brilho no seu filme, tem alma e paixão”. É, acho que eu falaria isso ao ator, caso o encontrasse por aí. Com um grandioso e privilegiado elenco, uma das mais recentes obras brasileiras se reveste de cor e de poesia. No interior do país, um circo é o palco para os conflitos internos, as situações corriqueiras e comuns ao mundo dos picadeiros e às relações humanas. Dentro desse cenário, Benjamim (Selton Mello), o palhaço Pangaré, reflete se é nesse mundo que ele gostaria de seguir sua vida. Paulo José incorpora o palhaço Puro Sangue, Valdemar, pai de Benjamim, e juntos, pai e filho, tocam o circo e tentam resolver a cada dia os problemas dos demais integrantes dessa família de artistas.

Não quero me estender na história, porque, na verdade, esse é um filme dos personagens, são eles que tomam o roteiro, dançam nas falas, expõem seus sentimentos e desnudam o ser humano, com suas sensibilidades, dores e saudades. Ainda tem um ponto importante, o principal e maior desencadeador de sentimentos é o olhar, personagem tão importante no drama. Esse nos preenche de vida e nos dá a certeza da grandiosidade do longa que estamos presenciando. Em algumas cenas, fiquei me perguntando se os brilhos nos olhares eram para os personagens, ou eram os atores que se deliciavam em encenar o que ali acontecia. A fotografia só reafirma a beleza de “O Palhaço”, enquadra as emoções e capta a essência de amar o que se faz.

A saga de Pangaré na busca pelo seu “eu” nos encanta, certamente, com humor, drama, poesia e leveza. Leveza mesmo, dessas que nos tiram da sala de cinema à força, porque a vontade mesmo era de ficar ali, junto com Puro Sangue, Pangaré, palhaço Borrachinha, Meio-quilo, Juca Bigode, Tony Lo Bianco, Guilhermina, Gordini, Dona Zaira, Chico Lorota, Lara Lane, Justine e Nei. Não vá esperando uma comédia escancarada, é de sentimentos vividos que estamos falando, poesia na certa, de aplausos de pé.

Se prepare, caso sejas uma manteiga derretida feito eu, não duvide que escorra algumas lágrimas no letreiro final.